RPG Solo, Traveller e a personagem espiã da minha esposa.

Ontem minha esposa teve a primeira experiência dela com RPG de mesa. A criação de um personagem.

Por mais que eu gostaria muito de ser um Mestre sábio e experiente, sei que estou muito longe disso. Eu mesmo tive pouquíssimo contato real com RPGs de mesa. Há mais de 10 anos atrás eu cheguei até a comprar uns livros de D&D, mas nunca tive sucesso em iniciar uma campanha de fato. Todas as minhas tentativas desde sempre nunca deram muito certo. No máximo mestrei umas 2 ou 3 sessões, e participei como jogador em umas 2 ou 3 também.

Anos e anos se passaram, mas a vontade não. Recentemente começamos a ler O Hobbit em conjunto, e ela gostou muito do universo de Tolkien. Pensei que isso poderia ser uma chave de entrada para o RPG. Fui atrás do RPG O Um Anel, comecei a ler e até comprei os dados necessários para jogar. Por algum motivo a coisa não foi pra frente, além do meu desânimo em aprender muita coisa em pouco tempo, a vida sempre trás outras preocupações.

Mais um tempo se passou e eu conheci uma coisa chamada RPG Solo. Tenho lido muito a respeito desde então, mas apenas testei jogar de fato uma única vez. Achei legal, mas decidi que eu precisava me preparar um pouco melhor. (Mais coisas da vida aconteceram, e mais um tempo se passou)

Ultimamente tenho pensado muito a respeito de “Show up”, e “Just do it”, até que decidi parar de ir atrás de meias soluções e buscar o que eu realmente tinha vontade: Um RPG com viagens espaciais, com um vasto universo e infinitas possibilidades.

Eu já tinha tentado ler alguns RPGs de ficção científica no passado, mas nenhum deles me agradou muito. Pareciam meio aguados.

Foi quando eu me deparei com o Traveller. Descobri que ele é de 1977 (apenas alguns anos depois do Dungeons and Dragons, que é de 1974). Assisti algumas reviews no Youtube e fiquei empolgado. Era um sistema simples e complexo ao mesmo tempo. Resolvi entrar de cabeça, começar a ler e tentar jogar solo.

Descobri o sistema de criação de personagem dele, que era extremamente diferente do que eu já conhecia no D&D. Ao invés de gastar pontos para criar um personagem todo equilibrado level 1, eu rolava vários dados e ia construindo o passado do personagem. Até os 18 anos eu escolho umas 3 skills que mostram quais eram os interesses e como era a vida dele durante a infância e adolescência. Depois disso dados são rolados para descobrir se ele entra na universidade, e até mesmo se ele consegue se graduar! Existem vários eventos aleatórios que podem acontecer (ruins ou bons), além de carreiras, avanços na carreira e até mesmo bônus de rescisão. Tudo isso com rolagem de dados baseados nas características do personagem.

Como eu costumo conversar com minha esposa a respeito das coisas que tem me interessado, falei sobre o Traveller e meus planos de jogar solo. Ela achou interessante a criação do personagem e disse que eu não chamava ela para participar.

Foi ai que vi que nós poderíamos de fato criar personagens juntos. Inclusive é uma recomendação no livro de regras de que a criação seja em conjunta. Existem regras especiais para isso que garantem que todos os personagens se conheçam quando a aventura começa, evitando o início clichê de “Todos vocês se encontram num bar”.

Decidimos criar personagens para começar a jogar outro dia. Eu não li nada do livro além da criação de personagem, mas me senti confiante o suficiente pra fazer essa parte junto com ela. Imprimi duas fichas e começamos a rolar os dados.

Percebi que ela fica muito empolgada quando existe algum filme para fazer comparações. “Isto é como no filme do Han Solo”, “Essa carreira é como se fosse um agente secreto, igual nos filmes do Missão Impossível”, etc. Também percebi que a rolagem de dados pode frustrar bastante, pois todo o plano traçado para o personagem, pelo jogador, não costuma refletir nos números rolados. A personagem dela teve uma carreira muito curta, mas o evento que aconteceu para que isso acontecesse entrou 100% de acordo com o background que tínhamos criado, o que foi surpreendente.

No fim das contas, as horas voaram e não terminamos a criação dos personagens, mas foi um momento muito divertido. Tenho muita coisa pra ler, mas estou animado pois jogar solo vai ser meio que como um treinamento pra mim, podendo explorar o jogo com liberdade de errar. Jogar com a esposa vai ser ótimo para passar um momento legal juntos, além de por em prática e ganhar mais confiança na hora de mestrar.

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