O problema de 3 dimensões do espaço-tempo-pessoa no RPG de mesa

Eu tenho 3 problemas, que poderiam muito bem ser 6 se imaginarmos que cada um deles se concretiza dentro e fora de um jogo de RPG. Vamos começar pelo lado de fora.

Fora do jogo, o Espaço define o local físico em que a partida se passa. Vamos nos encontrar pessoalmente na minha casa? Usar minha mesa de jantar? Ou vamos para um local público? E por que não online, cada um no seu computador? 

Cada uma dessas perguntas trazem grandes restrições e definem muita coisa de como o jogo vai acontecer. Na casa de alguém pode exigir que a casa esteja limpa e organizada, para terminar a sessão numa bagunça enorme. E a comida? Vamos comprar ou fazer? Vamos sujar de gordura os papéis e dados? Paramos pra atender o motoboy no meio de uma batalha emocionante?

E quanto ao Tempo? É o horário e duração de uma partida. Vamos nos comprometer todos os sábados pro resto de nossas vidas? Vamos deixar a coisa esfriar facilmente com uma vez ao mês? Vamos jogar longas horas na madrugada e parar só quando o sol nascer? Sessões rápidas durante a semana após o trabalho?

Novamente, cada solução trás um mar de implicações. Mas todas elas são fortemente ligadas ao nosso terceiro elemento:

Pessoas. Um jogo de RPG é feito de pessoas, e elas precisam entrar em acordo quanto ao espaço e ao tempo. Para um o sábado de manhã parece bom, mas o outro é uma criatura noturna que acorda ao meio dia no fim de semana. Para um o tempo é um recurso precioso, e a pontualidade na hora de começar e terminar são essenciais. Para outro o importante é a imersão no personagem durante longas horas, sem nenhum compromisso agendado no dia de jogo.

As pessoas também trazem seus gostos e características para dentro do jogo. Vamos jogar na Terra Média ou em Forgotten Realms? Star Wars ou Star Trek? Fantasia ou Ficção Científica?

Mesmo que seja possível definir todas essas características, ainda nos resta a personalidade e o que é esperado de um jogo. Há quem queira interpretar um sério detetive, enquanto a pessoa na sua frente está lá só para dar uma boa risada, fazendo piadas em todos os momentos tensos da história. Nenhum dos dois atrapalha o terceiro rapaz, que está concentrado nos números de sua ficha, tentando otimizar suas rolagens de dano.

Como qualquer conflito entre pessoas, o segredo está nas concessões. Será que eu estou disposto e tentar uma coisa nova? Seja ela em relação ao espaço, tempo, ou relação de jogo com os outros?

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